Sobre o judaísmo após o ano 70 CE

Os judeus povoaram a Terra de Israel por quase 4000 anos, desde o período dos profetas bíblicos (c.1900 aC). A história da existência judaica no antigo Israel é em detalhada na torá(o “Antigo Testamento” cristão).

A sectarização do povo judeu data da destruição do Templo em Jerusalém em 70 CE. Essa foi uma das maiores vitórias romanas em toda a sua história, os louros desse triunfo ainda é preservado nos escombros históricos da cidade de Roma com o Arco triunfal de Tito. Outro levante judeu também foi registrado na história, no ano 135 DC, mais de 580.000 soldados judeus morreram; essa foi uma das maiores baixas de exercitos judeus, apenas superada pelo próprio holocausto. Logo após a derrota de Israel, o imperador Adriano na tentativa de humilhar a história do povo judeu, decretou em todo o império que o nome “Judéia”  deveria ser substituído por “Síria Palestina” – a Síria filisteia ou a “Palestina” 3.

Jesus já havia dito que não ficaria pedra sobre pedra em Jerusalém, e foi exatamente o que ocorreu.

 

Os tempos eram outros, o que obrigava o povo judeu a se adaptar a um novo ethos social que não fossem as tradições judáicas. Podemos elencar três grandes mudanças na vida do povo judeu no período romano:

 

  • Não havia mais um templo para meditação, o que ocasionou num sistema que baseava-se nas orações e espiação das leis, também conhecido por halacha.
  • Os dogmas do antigo judaismo foram simplificados, entrando em oposição as várias ramificações de judaismo.
  • Foi nesse periodo que nasceram as hierarquias rabínicas para a liderança religiosa do povo, estava decretado o fim da era dos sacerdotes e profetas tão aclamados nas escrituras.

 

 

As sinagogas periféricas já se organizavam no sentido de uma adaptação aos novos ordenamentos romanos, já havia uma separação entre as sinagogas centrais e periféricas, os momentos de oração e estudo da torá eram realizados de uma forma mais improvisada, havia uma rivalidade que permaneceu nesses tempos que exigiam mais pragmatismo. Fariseus e Saduceus travavam uma guerra exegética, de um lado o fundamentalismo dos fariseus que seguiam ipsis litteris o que observava as escrituras da torá, enquanto os saduceus eram mais progressistas, acreditavam no livre arbítrio do homem.

Assim nasceu a figura eclesiástica moderna do judaísmo, o “rabino” (rabbi = professor, professor) essa designação só é encontrada com uma variada materialidade no ano 70. O termo começou a ser utilizado para identificar o aluno da Torá, o sábio. O rabino é um eterno estudioso das escrituras sagradas, tirando a transcendência das nomenclaturas de “profeta” e sacerdote, cabe ao estudante da torá, o ensinamento da palavra de Deus, não há outra designação eclesiástica que possa transmitir o conhecimento das tradições do pentateuco, a não ser o rabino.

By | 2017-11-03T01:43:28+00:00 setembro 19th, 2017|Categories: Arqueología Biblica|0 Comments

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